Das 14 fabricantes de bicicletas monitoradas pela Suframa no Polo Industrial de Manaus, apenas uma ainda não produz modelo elétrico. A produção de e-bikes no polo chegou a 43.107 unidades em 2026, alta de 77,3%, e já responde por 21,5% de tudo que se fabrica de bicicleta por aqui. É o segundo maior volume da categoria.
Existe um erro de leitura comum quando esse tipo de número aparece: o empresário local olha para a fábrica e conclui que a oportunidade é de quem tem capital para montar uma. Quase nunca é. Numa cadeia industrial incentivada, o dinheiro que fica na cidade circula muito mais pelos fornecedores, pela assistência técnica e pela logística do que pela linha de montagem.
O que os números realmente dizem

O Polo deve produzir 2,07 milhões de motocicletas em 2026, alta de 4,5% sobre o ano anterior. No primeiro semestre já foram 1.063.397 unidades. É a maior concentração de fabricação de duas rodas do país, com Honda, Yamaha, Dafra, Suzuki e BMW instaladas.
Dentro desse volume, o elétrico ainda é pequeno, mas cresce em outra velocidade. As motos elétricas tiveram 5.085 emplacamentos no primeiro trimestre de 2026, contra 3.453 no mesmo período de 2025, uma alta de 47,26%. Vale a ressalva honesta: isso ainda é menos de 1% do mercado de motos. O que importa não é o volume de hoje, é a direção e a velocidade.
Não é promessa, é projeto aprovado
A diferença entre anúncio e decisão é o que separa notícia de planejamento. A Yamaha Motor da Amazônia teve aprovado pelo Codam um projeto de diversificação para motonetas elétricas, com R$ 13,9 milhões e 147 empregos. Aprovação de conselho, não intenção de investimento.
A Caloi informa ter aplicado R$ 50 milhões em Manaus nos últimos sete anos, com aposta declarada em e-bikes. E a Yadea, maior fabricante mundial de motos elétricas, produz na cidade em parceria com a Jabil, na quarta operação da empresa fora da China.
“Mas eu não sou da indústria.” A frota é que gera o seu mercado

Aqui está o dado que costuma passar despercebido e que interessa a quem presta serviço. Manaus tem 337.464 motocicletas num total de pouco mais de um milhão de veículos. No estado são 450,3 mil motos, 35,19% da frota.
E o crescimento é o mais acelerado do país: a frota de duas rodas do Amazonas saiu de 288.793 unidades em 2016 para 536.599 em 2025, alta de 85,8% em dez anos. Nenhum outro estado expandiu nesse ritmo. Cada moto dessas precisa de manutenção, peça, seguro, financiamento e, cada vez mais, de alguém que saiba mexer em motor elétrico, controlador e bateria, que não têm nada a ver com motor a combustão.
Onde o negócio local entra de fato

Três frentes têm mecanismo concreto por trás, não apenas discurso. A primeira é fornecer para o Processo Produtivo Básico: o PPB obriga etapas produtivas locais para a fábrica manter o incentivo, e isso cria demanda estruturada por fornecedor homologado de chicote, injeção plástica, montagem de subconjunto e embalagem.
A segunda é assistência técnica especializada. A rede de oficinas de Manaus foi formada em torno do motor a combustão. Bateria e controlador exigem qualificação e certificação diferentes, e quem se habilitar antes pega a curva enquanto ela ainda está subindo.
A terceira é logística de última milha e frota por assinatura. O modelo de assinatura tira a moto do imobilizado e a transforma em despesa operacional, o que muda o tratamento contábil do tomador e, a partir de 2027, muda também o crédito de CBS que ele consegue aproveitar.
A régua fiscal que decide quem captura isso
Nada disso acontece no vácuo tributário. A indústria incentivada terá crédito presumido de IBS entre 55% e 100% conforme a categoria do produto, e esse crédito só produz efeito em 2029. O de CBS entra antes, em 2027.
Para o fornecedor, o efeito é indireto e chega mais cedo: quem vende para indústria incentivada precisa estar habilitado na Suframa e com cadastro em dia, porque a nota fiscal passou a validar automaticamente a inscrição do emitente. Cadastro desatualizado deixou de ser pendência administrativa e virou nota rejeitada.
A diferença entre quem vai faturar com essa transição e quem vai só assistir raramente está no tamanho da empresa. Está em quem chegou com CNPJ regular, habilitação válida e capacidade técnica comprovada antes de a demanda aparecer.
Se o seu negócio tem como entrar nessa cadeia, vale mapear com a Bono Conta o que falta de habilitação e enquadramento antes que o concorrente faça isso primeiro.
Com informações de Suframa, Abraciclo, Senatran e decisão do Codam de 20/06/2024. Análise e texto: Redação Bono Conta.
Ficou com dúvidas? Fale agora pelo WhatsApp
Nossa equipe responde em minutos durante o horário comercial, de segunda a sexta, das 8h às 17h.